A proposta de atividade desta unidade é uma continuação daquela inciada na unidade sobre a história.
Busquem informações sobre suas escolas e redes de ensino onde trabalham, indicando se identificam a presença de alunos com deficiência ou necessidades educativas especiais nessas instituições. Elaborem um texto no qual vocês apresentarão os dados de uma escola específica, indicando total de alunos e docentes, etapas de escolarização, alunos da educação especial presentes (quais? quantos? com que tipo de atendimento?). Elabore um comentário que integre a realidade descrita e os pontos centrais que identifica nos textos lidos.
Dados de Identificação da Escola
Parte estrutural e pessoal da EMEF Podalírio Inácio de Barcellos foi fundada em 12 de maio de 1958, portanto existe há 48 anos. Localiza-se em Alvorada, na rua Alegrete, 20, bairro Maria Regina. Em uma conunidade com nível sócio-econômico baixo. A comunidade é pouco participativa, comparecem à escola quando chamados para receber avaliação dos filhos ou quando o professor solicita a presença para tratar de assuntos referente aos mesmos. Em festas e eventos também participam, mas comparecem em número menor.
Funciona em 3 turnos (manhã, tarde e noite). Sendo que no turno da manhã atende Primeiro Ano Escolar e 6ª a 8ª série; à tarde Primeiro Ano e 1ª a 6ª série; à noite EJA.
Atualmente conta com 73 professores nomeados, 12 professores contratados, 7 funcionários e 1710 alunos. É considerada a maior escola municipal de Alvorada. Possui 19 salas de aulas, sala de vídeo, ambiente informatizado, sala de jogos, biblioteca, laboratório de aprendizagem, , secretaria e direção.Tem um pátio grande, onde encontramos 3 quadras esportivas, sendo uma coberta.
Diretora: Ângela Soares Brito
Vice(s): Arlete Carmem S. Cardoso
Nanci Silva Bernardes
Otilia Freires
Glória Lacy P. Paes
SOE: Odete C. Domingues
Inclusão Escolar
Garantir o acesso dos alunos portadores de necessidades especiais nas redes regulares de ensino é um enorme desafio, pois este acesso está garantido na lei e até 2010 todos deverão estar freqüentando regularmente a rede pública ou privada, porém, a realidade é completamente diferente.
As escolas não estão preparadas para receber esta clientela, quanto ao espaço físico que deve ser ajustado com rampas, banheiros adaptados e carteiras escolares conforme necessidade do aluno. O descaso do poder público é muito grande, tanto na realização das obras necessárias como na fiscalização, deixando muitas vezes as grandes soluções destes problemas para a comunidade escolar que acaba arcando com as responsabilidades, com a criatividade e boa vontade.
Em relação à formação de professores, os mesmos não estão preparados para assumir esta demanda, pois cada vez mais, apresentam-se alunos com as mais diferentes necessidades especiais e transtornos como: dislexia, psicose, neurose, esquizofrenia, transtornos de comportamento (bipolaridade), autismo, altas habilidades, deficiência cognitiva, auditiva, visual, e motora, hiperatividade, déficit de atenção, entre outros.
Estes alunos deveriam receber atendimento especializado garantido na Constituição Federal de 1988.
A escola conta com um aluno cadeirante que sofre de atrofia muscular, contando com uma rampa e um banheiro adaptado, porém não tem acesso à sala de informática e vídeo, por ser no andar superior e a SMED e a Prefeitura não providenciaram ainda um elevador apesar de vários pedidos. Este ano as duas salas citadas, Ambiente Informatizado e Sala de Vídeo, não estão funcionando. Ano passado o aluno cadeirante ficava fazendo alguma atividade no computador da sala da direção e quando a turma ia ver um filme, se o aluno estava presente a turma assistia o filme na sala de aula,onde levavam televisão e aparelho de Dvd para sala da turma. Se o aluno não estivesse presente assistiam na sala do vídeo. O município não realiza curso de formação para professores relacionado com o tema de inclusão de pessoas com necessidades especiais. Até o momento, em mais de 15 anos de município, não lembro de ter assistido alguma palestra sobre o assunto.Aqui faço uma ressalva, pois dia 30/04, quinta feira passada, a SMED realizou algumas oficinas na min ha escola e entre elas estava uma com o tema Inclusão Escolar, com duração de 4 horas, muito pouco tempo, mas já é um começo. Esta oficina foi ministrada por uma psicóloga e uma fonoaudióloga. O município oferece pelo menos dois cursos de formação por ano, um no primeiro trimestre e outro no segundo, a maioria com carga horária de 4 horas, com diferentes temas e abordagens.
Também temos alguns alunos com TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) com laudo neurológico e uso de medicamento como a ritalina. Temos adolescente com depressão e transtorno de comportamento, sendo atendidos por psiquiatras, também com uso de medicação.
O atendimento psicológico especializado oferecido pelo município são: a CIR (Centro de Integração e Recurso) que atende os alunos com encaminhamentos médicos no turno inverso da escola, trabalhando com eles dificuldades de aprendizagem, adaptação ao meio social, problemas emocionais.
O CAPSI (Centro de Atendimento Psicossocial Infantil) onde recebem atendimento neurológico, psicológico, terapia ocupacional e acompanhamento por uma assistente social.
Uma das demandas ainda não solucionadas é o problema de fonoaudiologia que a rede municipal de saúde não oferece.
A escola procura solucionar os problemas de aprendizagem com Laboratório da Aprendizagem na escola. Segue um breve relato da professora responsável pelo Laboratório de Aprendizagem da escola:"Quando os alunos chegam no Laboratório, procuro saber e conversar com eles a respeito do porque eles estão ali e o que vão fazer. Feito isso, tento resgatar o lado lúdico do processo ensino-aprendizagem ( mesmo que muitas vezes seja complicado, pq todos desejamos resultados rápidos). Como faço? Procuro contar histórias, solicitando que eles reproduzam sejam através de relatos escritos, orais ou através de desenhos como às vezes é o caso dos menores. Trabalhamos com jogos que estimulam a memória, a sequência, as estratégias que podemos montar para conseguirmos melhores resultados. Enfim, é um trabalho a longo prazo, que faz com que respensemos nosso agir pedagógico com nossos alunos. Tenho uma ficha que funciona como um relatório onde anoto como foi o desempenho do aluno e quais as atividades desenvolvidas no dia das suas aulas. Atendo na média de 5 a 6 alunos por horário. Cada umde nós somos indivíduos únicos, por esse motivo procuro comparar meus pequenos com eles mesmos, pois não seria correto compará-los um com o outro, porque cada um tem seu TEMPO de aprendizagem."
As maiores dificuldades encontradas pelo SOE é a falta de profissionais especializados e também a omissão e não aceitação da família para o tratamento adequado.
As colocações acima são da Orientadora Educacional da Escola Podalírio Inácio de Barcellos.
Minha reflexão com relação ao que foi relatado
Segundo o relato da orientadora da minha escola fica claro e evidente o descaso das autoridades, em relação a esses alunos portadores de necessidades especiais. Estes alunos deveriam receber atendimento especializado garantido na Constituição Federal, conforme art. 208: “Atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. Reforçado pela LDBEN em seu art. 58, parágrafo 1º “Haverá quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial” e pelo ECA, no parágrafo 1º art 2º “A criança e o adolescente portadores de deficiência receberão atendimento especializado.” Conforme Resolução CNE/CEB nº 2/2001, no artigo 2º, determinam que: “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.” (MEC/SEESP, 2001)
Noto que os alunos com necessidades especiais estão amparados de todas as formas por lei, mas não se fazem cumprir. Eles estão inclusos nas escolas, mas não recebem o atendimento especializado devido e de qualidade, pois na minha escola não tem professores formados e especializados, e também serviços especializados, apenas temos um laboratório de aprendizagem, para crianças com problemas de aprendizagem, onde a professora responsável possui apenas o curso de Pedagogia.
Como citado, pela orientadora da escola, temos um aluno cadeirante onde este não tem acesso a algumas salas do prédio da escola como Ambiente Informatizado e Sala de Vídeo, pois o prédio da escola não está devidamente estruturado para estes alunos com tal deficiência. Conforme Resolução CNE/CEB nº 2/2001, art.12 “ Os sistemas de ensino, nos termos da lei 10.098/2000 e da lei 10.172/2001, devem assegurar a acessibilidade aos alunos que apresentem necessidade educacionais especiais, mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas urbanísticas... , provendo as escolas dos recursos humanos e materiais necessários”.
Nos casos citados pela orientadora os alunos são encaminhados por ela aos serviços especializados do município, CIR e CAPSI, onde muitas vezes o professor detecta a necessidade de um serviço especializado e encaminha ao SOE da escola e paralelamente trabalha com este aluno, sem auxilio da escola e tentando fazer o melhor possível. Cabe salientar que esses serviços especializados que o municipio (Alvorada) possui, não atende toda a demanda, pois o número de profissionais que possue é muito precário, ficando muitos alunos com deficiência sem o devido atendimento.
Comments (3)
Simone Ramminger said
at 8:51 pm on Apr 28, 2009
Ana Paula apresentaste alguns dados da escola em que trabalhas, bem como os alunos com necessidades especiais que vocês atendem. Sabes o que este aluno cadeirante fica fazendo enquanto os demais colegas vão para o Ambiente Informatizado e a Sala de Vídeo? O que sabes mais sobre o Laboratório da Aprendizagem da escola? Podes indicar ainda no texto, as condições sócio-econômicas das famílias, características da comunidade escolar, participação na escola... Os casos desses alunos com necessidades especiais são discutidos nas reuniões de formação e planejamento da tua escola? O teu município tem promovido discussões e qualificações, a fim de preparar melhor os professores e educadores? Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE
Ana Paula said
at 11:16 pm on Apr 28, 2009
Simone já respondi algumas indagações que me fizestes. Não sei se era isso. Qualquer coisa me dá um toque.
Abraço,
Ana Paula
Simone Ramminger said
at 7:26 pm on May 18, 2009
OK Ana Paula. As indagações eram sugestões, já vi que complementaste no teu texto. Ficou muito bom! Conseguiste participar da oficina com o tema Inclusão Escolar? Como foi?
No texto "História, Deficiência e educação especial", Miranda traz algumas idéias que comentas no teu relato: "A efetivação de uma prática educacional inclusiva não será garantida por meio de leis, decretos ou portarias que obriguem as escolas regulares a aceitarem os alunos com necessidades especiais, ou seja, apenas a presença física do aluno deficiente na classe regular não é garantia de inclusão, mas sim que a escola esteja preparada para dar conta de trabalhar com os alunos que chegam até ela, independente de suas diferenças ou características individuais".
Um abraço, Simone
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