Ser diferente é normal !
Sou professora da rede municipal de Alvorada há 17 e tive muito pouco contato com crianças com necessidades especiais. Posso dizer que minha experiência foi de mais ou menos seis meses, há uns três anos, pois a família foi morar em outra cidade.. Nunca tinha tido experiência desse tipo e não imagina como lidar com a situação. Lembro-me da uma menina, que até hoje é muito especial, em todos os sentidos. Vou chama-la aqui de Maria. Notei que ela era “diferente” dos estudantes ditos “normais”. Mas o que é ser normal dentro da Escola? Sentar direito, ser comportado, educado, copiar tarefas? Sendo assim, Maria era “normal”! Não Maria não era normal. Notava-se nitidamente quando ela caminhava, falava ou copiava que algo nela era diferente sim. Resolvi então, chamar os responsáveis, que vieram sem exitar e explicaram-me que Maria havia “passado da hora de nascer” e por isso teve paralisia cerebral, o que explicava o por que dela ser lenta para andar, escrever , falar, etc.
A partir daí, comecei a nortear meu trabalho com Maria. Muitas vezes ela não conseguia acompanhar as tarefas escritas de sala de aula, porém, ao longo do trabalho pude observar que ela tinha mais facilidade de ouvir e copiar do que ler e copiar. Percebi que quando eu ditava algo, ela era a primeira a escrever, então precisei da ajuda dos colegas ( que por sinal a amavam ) . Aquele que terminava primeiro as tarefas que tinham que copiar do quadro, tinham por função, sentar ao lado dela e ditar as tarefas, sendo assim, ela conseguia copiar tudo e fazer os exercícios , tendo tempo para ser ajudante da professora como todos os outros já faziam, dava suas opiniões, participava das atividades de recreação, que algumas vezes sofriam algumas modificações, já que alguns movimentos ela não podia fazer. Penso que ser professora de alunos com mais dificuldades não é tarefa fácil, tanto para o educador, quanto para a turma e mais ainda para o estudante que a possui, porém se trabalhamos em parceria : professor / estudante/ turma/ escola/ família, conseguiremos superar obstáculos.
Hoje o que sei de Maria é que ela faz curso de informática em Porto Alegre e que vai muito bem com suas limitações, o que comprova que “ SER DIFERENTE É NORMAL!”
Comments (3)
Izolete said
at 12:39 am on Apr 6, 2009
Oi amiga, lendo teu relato eu fiquei pensando o quanto fazemos por eles, pelos diferentes, pelos alunos especiais,quantas estratégias criamos em sala de aula para ajudá-los, mas como não registramos nada, aí quando surge uma interdisciplina como esta sobre crianças com necessidades educacionais especiais ousamos dizer que não estamos preparadas para lidar com a situação, pelo teu relato o que me parece é que tuas estratégias de atendimento a esta criança foram muito criativas e corretas, pois além d e dar atendimento individualizado para a Maria, tu mobilizastes a turma para isto, trabalhastes em percerias, como tu mesma citas, e este conjunto de açoes te ajudaram e ajudaram muito a Maria.
Abraços! Até...
Simone Ramminger said
at 12:13 am on Apr 8, 2009
Olá Ana Paula!
Duas coisas me chamaram a atenção no teu relato: o olhar atento com que observaste a aluna e a tua estratégia de solicitar a colaboração dos colegas para ajudar a "Maria". O trabalho em parceria contribui para a inclusão. Fiquei curiosa para saber qual a série que esta menina estava, quantos anos ela tinha nessa época? Observei que procuraste preservar a identidade da aluna. Isso é muito importante. Na tua escola existem outros casos de crianças portadoras de necessidades educacionais especiais?
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE
Ana Paula said
at 6:00 pm on Apr 13, 2009
Oi Simone, na época aMaria tinha 15 anos e estava na 4ª série. Estou fazendo um levantamento dos dados na minha escola.
Abraços,
Ana Paula
You don't have permission to comment on this page.